Riacho do Meio é uma comunidade que fica entre Choró-Limão e Quixadá, pertinho da estrada. Lá moram homens e mulheres que trabalham
Leia MaisSe os livros são bons amigos que nos convidam à viajar, uma oficina de contação de histórias pode complementar esse passeio com a dinâmica corporal, alçando a imaginação à vôos ainda mais altos.
Leia MaisNos dias 30 e 31 de janeiro o Assentamento Macaco, em Itapipoca, ficou cheio de cores. O acontecimento foi a realização de uma oficina de arte, cultura e educação
Leia MaisÉ mais ou menos uma hora de estrada da sede de Canidé pra chegar na comunidade de Carnaubal. A casa onde seu Lindomar Leitão vive com a esposa Angerlânia e as filhas Natália e Nayara tem um quintal produtivo onde ele cultiva de forma agroecológica. Começou a plantar sem usar veneno porque era caro, depois, com as campanhas de conscientização, viu que era ruim e a prática provou que não precisava. O quintal produtivo já o fez parar de comprar as verduras no mercado: mamão, coentro, cebolinha, pimenta de cheiro, pimentão… Tudo vai da terra direto para a mesa. E, o que sobra, para a Feira da Agricultura Familiar, todas as quartas-feiras na Praça Azul, no centro da cidade.
Na terça, dia 14 de fevereiro, seu Lindomar foi fazer uma experiência diferente no seu quintal. Ele recebeu 19 agricultores e agricultoras vindos do Assentamento Todos os Santos e das comunidades Cacimba Nova e Fresco dos Almeidas, além dos técnicos do Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (CETRA) para um intercâmbio. A ideia era conhecer essa área produtiva, o quintal, porque estes agricultores visitantes são todos beneficiários do Projeto Cisternas de Enxurrada e vão, agora, começa a cultivar seu próprio quintal agroecológico. Visitar a experiência do seu Lindomar foi uma das etapas do processo, que já contou com um curso de formação e ainda tem um intercâmbio interestadual.
O ânimo é geral, mesmo antes da visita. Um exemplo é Gilson Barbosa, assentado do Todos os Santos. Ele diz que adora plantar e criar e já desenhou no mapa como quer seu quintal formado. “Aqui é onde vou plantar as frutas, aqui eu planto as hortaliças, aqui eu chamo minha farmácia viva e aqui é o meu roçado, tudo perto da casa”, explica ele, apontando no papel.
Seu Lindomar começa a contar sua trajetória. Ele diz que, primeiro, a maior dificuldade do plantio é a água, “se tiver é só querer que dá certo”. E como Carnaubal tem um açude, a vontade deu certo. Ele planta consorciado pimenta de cheiro e pimentão, que “aí as pragas se dividem também e um aproveita a água do outro”. O mato serve como adubo orgânico e ajuda a mantar a umidade perto da terra. Ensina também que no canteiro você economiza adubo e trabalho se colocar o estrume só na vala em que vai plantar, daí dá para aproveitar o canteiro o ano todo, é só ir ajeitando. Para garantir, ainda coloca uma garrafa de vidro virada de cabeça para baixo em um pedaço de pau – “afasta o mau olhado, quando você tem um canteiro bonito, diz que é bom”. Depois do quintal do seu Lindomar, todos foram conhecer o quintal do pai dele, seu João, que mora ao lado. Os altos pés de mamão e as grandes goiabas e bananas deixaram todo mundo ainda mais empolgado.
Passada a visita, foi numa metodologia de roda de conversa que todo mundo deixou suas impressões. Para Braz Cavalcante, do Assentamento Todos os Santos, foi muito interessante a forma de organizar, colocando tudo nos canteiros. “Eu acho que a experiência mais importante foi a do estrumo, de colocar só onde planta e não no canteiro todo”. Gilson também destaca que as plantas servem não só como alimento, mas como medicina.
Rita da Silva, do mesmo assentamento, diz que “com certeza vou colocar o estrumo só nas valetas, que nem eu aprendi com o seu Lindomar”. Ela e a irmã, Francisca – mas que todo mundo conhece como Adriana, não conheciam essa metodologia dos canteiros e agora estão ansiosas que seus quintais comecem para poder aplicar. No começo, ambas ficaram meio desconfiadas, mas depois do curso do projeto começaram a achar que ia dar certo mesmo. Hoje as duas trabalham em casa e ajudam os respectivos maridos nos roçados, mas quando o quintal chegar as coisas vão ser diferentes. “Vai ser o meu canto”, diz Adriana, “mesmo que o marido ajude, como ele já ajudou limpando”. Ainda sobre o intercâmbio, Adriana leva outro lado: “é muito bom. A gente demora muito para sair de casa, então é tudo novidade: vir, ver o caminho e a casa do seu Lindomar, conversar…”
Albertina Carneiro é da comunidade Cacimba Nova. Ela diz que logo quando chegar vai “passar para o marido a história dos canteiros, de colocar o estrume só na valeta, para ele economizar adubo e trabalho”. Ela e os dois filhos já ajudam o companheiro na plantação, perto do Rio Xinuaquê, e também já planta um pouquinho no seu quintal por isso se interessou pela ideia das cisternas de enxurrada e quis participar do projeto. Além disso, eles não usam agrotóxicos nem queimam nada. Quando os problemas vão aparecendo, eles vão inventando.
Depois da troca de impressões, foi o momento lúdico, de cada grupo desenhar o mapa do quintal que haviam visitado. Apresentaram, apontaram um ao outro, “faltou isso”, “olha aquilo”, “isso tá no lugar errado”, mas sempre com companheirismo e diversão, elogiando também os mapas que os colegas haviam desenhado.
Ao final, a avaliação positiva foi geral. Todo mundo falou do aprendizado, de que era a hora de ver o que ia começar a fazer, mas também conhecer lugares novos, pessoas novas, fazer amizades, se divertir. Seu Lindomar que, quando foi marcado o intercâmbio, ficou imaginando como seria, mas gostou muito. “Tanto de receber o pessoal das outras comunidades como de receber os técnicos, porque aproxima da gente”, acrescenta. Ele diz que também aprendeu algumas coisas e finaliza: “se Deus quiser, quem sabe, a gente muda essa história do Canidé, muda essa política e faz até um galpão da agricultura familiar, que nem já tem em outras cidades”.
Leia MaisA proposta é trocar conhecimentos sobre agroecologia para, a partir da experiência coletiva, levar ideias para o seu quintal. De amanhã até sexta as comunidades de Carnaúba, Santana da Cal, ambas em Canidé, Uruá, em Barreiras, Riacho do Meio e Croatá, as duas últimas em Choró, estarão sendo visitadas por agricultores beneficiários do Projeto Cisternas de Enxurradas
Leia MaisO tema era “ATER para Agricultura Familiar e Reforma Agrária e o Desenvolvimento Sustentável do Brasil Rural”. Mais de 100 pessoas estiveram presentes na Faculdade Católica Rainha do Sertão ao longo do dia de 09 de fevereiro de 2012 para discutir a temática, propor alterações no documento base e tirar delegados para a Conferência Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural a ser realizada no Fortaleza nos dias 15 e 16 de março.
O representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Nilson Lima, aponta que as conferências estão realmente conseguindo atingir o público alvo, de agricultores familiares e assentados da reforma agrária, e aponta a importância política da Assistência Técnica em fazer o elo entre as políticas públicas rurais que já existem e as que estão surgindo, garantindo sua execução e condução da melhor forma. Para ele o papel das Conferências de ATER agora é de diagnosticar as falhas para saná-las.
As Conferências Territoriais estão sendo realizadas em todos os 13 territórios rurais do Ceará como etapa a Estadual. Em todas elas, como explica Luciano Bezerra, membro da Comissão Estadual, está sendo discutido um documento-base pensado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (CONDRAF) na metodologia proposta pela Comissão. Entre agricultores e agricultoras familiares, poder público e organizações prestadoras de ATER foram discutidas e construídas as propostas do território Sertão Central a serem debatidas por todo o estado. As expectativas, desde o início, eram muitas. Geremias Gomes, da comunidade de Campo Alegre, estava lá para acompanhar as discussões e depois repassar para os outros. Ele destaca que é importante a troca de experiências e de como é o melhor jeito de levar as informações para os agricultores.
Quem também tem considerações sobre metodologia é o articulador territorial Paulo Ferreira. Para ele, esta é uma das grandes questões dessa conferência. “No território nós temos vários tipos e metodologias de assistência técnica, mais de quatro ou cinco metodologias diferenciadas. O público que é atendido tem uma grande diversidade de assistências técnicas e não tem um fórum ou diretrizes que elas se encontrem”, explica.
Depois das saudações e uma vez aprovado o regimento interno, o público se dividiu nos grupos de trabalho, separados por cinco grandes temáticas: ATER e o Desenvolvimento Rural Sustentável; ATER para a Diversidade da Agricultura Familiar e a Redução das Desigualdades; ATER e Políticas Públicas; Gestão, Financiamento, Demanda e Oferta dos Serviços de ATER e Metodologias e Abordagens de Extensão Rural. Todos saíram com muitas propostas, contemplando questões como a continuidade e permanência da assistência, os princípios agroecológicos e as demandas de grupos específicos.
Antônio Lopes é agricultor e da Coordenação Nacional dos Quilombolas (CONAQ). Para ele, a Conferência tem importância por possibilitar a construção de um programa direcionado para atender as especificidades de povos tradicionais, cada um de acordo com sua realidade e cultura. “A assistência técnica de hoje avalia todos os tipos de agricultores iguais. Então da mesma forma de se trabalhar um assentamento se trabalha uma comunidade tradicional e elas são diferentes. A gente precisa de pessoas que conheça o povo para trabalhar lá”, destaca.
Outra questão abordada com força foi à garantia dos recursos públicos para a Assistência Técnica. Para Francisco Bezerra, articulador territorial do INCRA, esse ponto já teve avanços, mas ainda precisa de mais: “o grande desafio no passado era a falta de recurso e uma política pública para que ela fosse implementada. Agora é que ela tenha bons profissionais qualificados, tenha a continuidade do recurso e que ela preste um bom trabalho à agricultura familiar”.
Quem concorda que já houve melhoras é Helena Felisberto, agricultora da Comunidade Lages. Para ela, o destaque agora é a luta pela permanência do técnico na comunidade. “Uma das coisas que a gente encontra muita dificuldade é a constante renovação, essa coisa de o contrato estar sempre acabando e a gente estar sempre reiniciando, mostrando tudo de novo para aquele novo técnico que vem. A gente espera que esse documento aprovado hoje venha resolver isso”.
O ponto é que a Conferência de ATER oferece várias possibilidades. Para Neila Santos, representante do CETRA e da Rede Cearense de ATER na Comissão Estadual, uma delas é a oportunidade de discutir a chamadas públicas e apontar, na lei de ATER, elementos que ainda não atendam as necessidades das famílias. Ela concorda com a sensação de voltar para o ponto de partida apontada por Helena, mas em relação aos recursos, quando diz que a burocracia é tão grande que o sentimento é de estar sempre recomeçando. E ainda destaca: “a chamada pública é muito engessada e acaba não permitindo uma construção participativa por parte dos agricultores”.
Do Sertão Central saíram um total de 16 delegados para a Conferência Estadual, sendo um terço para o poder público e dois terços para a sociedade civil, esta ainda dividida em dois subgrupos: um de agricultores familiares, que saiu com oito delegados, inclusive dois agricultores de comunidades que o CETRA acompanha, sendo um deles Antônio, representante quilombola. O outro subgrupo é de entidades que prestam serviço de ATER, com mais três delegados contemplando diferentes instituições, dentre elas o CETRA.
Leia MaisMais um momento de formação do Projeto Mulher Rural: Organização e Produção Agroecológica. Dessa vez, a pauta era comercialização e plano de negócios, uma vez que gerar renda é um elemento importante para a construção
Leia MaisForam mais ou menos 20, entre jovens rurais do projeto Terra Viva: Um Novo Olhar sobre a Juventude Rural, realizado pelo Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (CETRA) com apoio do Fundo Itaú de Excelência Social (FIES) e jovens urbanos dos cursos de fotojornalismo, mídia impressa e audiovisual CUCA Che Guevara (Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte) que, junto com amigos e convidados, lotaram uma mesa no Dona Chica Restaurante na última terça, 7 de fevereiro.
O momento foi uma realização conjunta do CETRA e do CUCA para promover a troca de experiências entre as realidades da juventude do campo e da cidade através de uma Roda de Conversa. Com a oportunidade de falar livremente, o bom debate foi garantido, com várias questões colocadas, outra, desmistificadas, e, ainda, muita diversão, numa rica mistura adornada pelas fotografias da Exposição Um Novo Olhar da Juventude sobre o Meio Rural, que fica montada no Dona Chica até 16 de fevereiro.
Lazer, violência e família foram alguns dos temas abordados na conversa com perguntas e intervenções partindo de ambos os lados. As dificuldades que cada um enfrenta em seu meio, como os problemas de acesso e do transporte, também foi compartilhada, além de questões sobre os próprios projetos dos quais cada um participa e quais são suas possibilidades.
Ao final, ficou o convite para visitar a exposição com orientações dos próprios retratistas. Mais de uma vez surgiu a ideia de uma atividade maior, um intercâmbio de vivência, no CUCA ou em algum espaço rural, de forma tornar mais palpável aquilo que já foi compartilhado em conversas. O desafio está lançado.
Leia MaisQuando o campo e a cidade se encontram, suas cores e seus sons se misturam, é certa a riqueza de elementos que essa troca traz.
Leia MaisElza Braga
A exposição fotográfica “Um Novo Olhar da Juventude sobre o Meio Rural”, organizada pelo Cetra, constitui uma forma inovadora de envolver 20 jovens e disseminar como meio popular a expressão visual do cotidiano do campo.
Resultado de uma oficina ministrada pelo jornalista e educador Elitiel Guedes, os jovens, ao produzirem as fotografia, trabalham a identidade dos jovens no contexto do semiárido.
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