Publicado em jan 26, 2012 em Notícias | 0 comentários
Construir relações igualitárias de gênero, superando a histórica discriminação das mulheres no meio rural brasileiro requer trabalho e esforços em diversas camadas. Uma delas, essencial no processo, é a econômica: quando a mulher começa a produzir e colher os frutos dessa produção, sua auto-estima aumenta e ela se sente mais independente.
Sendo essa uma das premissas do Projeto A Mulher Rural: a Organização e a Produção Agroecológica, desenvolvido pelo CETRA em parceria com a Assessoria Especial de Gênero, Raça e Etnia do Ministério do Desenvolvimento Agrário (AEGRE/MDA), foi realizada nos últimos dia 20 e 21, por parte do Projeto, uma oficina de manejo agroecológico envolvendo 20 mulheres das comunidades do semiárido cearense Lagoa do Juá, de Itapipoca, e Camburão, de Paraipaba, ambos municípios do Território da Cidadania Vales do Curu e Aracatiaçu.
Entre debates e intercâmbios, com as mulheres protagonizando a construção coletiva do conhecimento, abordou-se a agroecologia sob uma forma de mudança de comportamento por quanto de relações de gênero, diversificar a produção e dividir e planejar melhor o trabalho familiar, além de formas de cultivo criativas e harmônicas com o meio ambiente.
Para as agricultoras, tudo é importante, mas as questões do protagonismo feminino e da emancipação da mulher aparecem com destaque. Irismar, agricultora da comunidade Lagoa do Juá, diz que “nós temos que continuar acreditando na transformação da nossa comunidade, apostar no respeito ao ambiente, à natureza, e somos nós, as mulheres, que poderemos estar fazendo isso, dentro da igreja, nas escolas, nas nossas casas, precisamos ser espelhos aos olhos daqueles que ainda estão tão distantes, não podemos desistir de dá o melhor de nós mesmos por aquilo que acreditamos”.
Já para Salomé, da comunidade Camburão, o reflexo é mais subjetivo. Ela conta que só depois que começou a sair de casa para as formações e os encontros aprendeu a se colocar melhor nos espaços, perdeu a timidez. “Não quero mais perder nenhuma chance na minha vida”, complementa.
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