Todos, no mundo, dependem da natureza e dos serviços providos pelos ecossistemas para terem condições a uma vida decente, saudável e segura
Os seres humanos causaram alterações sem precedentes nos ecossistemas nas últimas décadas para atender a crescentes demandas por alimentos, água, fibras e energia. Muitas vezes essa demanda simplesmente beneficia economicamente um pequeno grupo ou pessoa, em detrimento de uma comunidade que precisa desses ecossistemas para sobreviver.
Quem principalmente sofre dessas alterações da natureza são as comunidades tradicionais, que tem ligação intrínseca com esses ecossistemas, dependendo de alimentos, lazer, entre outros serviços ambientais.
O Ecossistema manguezal do rio Mundaú possui uma importância fundamental para a comunidade de Vieira dos Carlos – Assentamento Várzea do Mundaú. A população local se beneficia de diversos serviços ambientais que o mangue gera ao longo de sua paisagem, sejam elas extração de alimentos, água, lazer, etc.
No entanto, essa comunidade, vem sofrendo com os diversos impactos causados pelo criatório de camarão que se localiza próximo ao rio.
Impactos ambientais e relações com as comunidades tradicionais
Nos processos operacionais da fazenda de camarão, foi possível identificar: 1. o desmatamento da mata ciliar e do carnaubal, suprimindo as unidades produtoras e exportadoras de nutrientes para o ecossistema manguezal; 2. Contaminação da água por efluentes dos viveiros com consequentes morte da fauna e flora local; 3. Contaminação do lençol freático e alterações na qualidade da água – eutrofização, para seres humanos; 4. Redução e extinção de hábitats de numerosas espécies, com o desmatamento de extensas áreas de manguezal. 5. Queda de cabelos dos empregados, mostrando inadequado uso de EPI – Equipamento de Proteção Individual. 6. Inexistência de manejo ou ações de recuperação das áreas degradadas. 7. Mau cheiro pela noite, de acordo com o regime de ventos.
Em face disto, é fundamental a realização de inspeções técnicas por parte das Instituições Governamentais que tratam das questões sócio-ambientais. Deverão urgentemente atuar de modo a não permitir a degradação das unidades de preservação permanente (APP), diminuição da biodiversidade, e a utilização inadequada dos ecossistemas que dão sustentação social, econômica, cultural e de usufruto das comunidades tradicionais.
Com o apoio da equipe técnica do CETRA, foi possível realizar um estudo junto com a população local para se levantar os impactos sociais, ambientais, culturais e econômicos que a carcinicultura está causando a comunidade. Esta se mostrou prejudicada com os efeitos dos viveiros e entrou com uma denúncia no IBAMA, para este tomar as providências cabíveis, tendo o referido estudo como parte anexa. Esse documento já está sendo visto pelos analistas ambientais no DICOF – Setor de Fiscalização, e a comunidade aguardam os devidos posicionamentos do órgão competente.
Luís Eduardo é engenheiro agrônomo – integrante da equipe técnica do CETRA em Itapipoca.
Luis Eduardo Sobral
09/06/2009