O Projeto Caminhos da Sustentabilidade Para a Agricultura Familiar foi desenvolvido, entre os anos de 2003 e 2005 pelo Cetra, atingindo 20 comunidades da região de Itapipoca. Este projeto sintetiza a missão do CETRA, pois todos os aspectos defendidos pela instituição tiveram seu espaço nas atividades do projeto: a organização social, a eqüidade de gênero, a produção agroecológica, a assistência técnica qualificada, a comercialização coletiva e o cooperativismo de crédito rural.
O Caminhos da Sustentabilidade teve como principal objetivo apoiar processos de organização e formulação de estratégias de permanência de agricultores/as familiares de forma sustentável no campo, a partir do fortalecimento de suas organizações representativas e do estímulo à implementação das práticas e princípios da agroecologia e do uso democrático dos recursos naturais (água, terra, flora e fauna).
Para isso, o projeto incentivou a preservação e a recuperação dos recursos naturais, a construção de novas relações sociais de gênero e geração, além de mudanças de mentalidade quanto aos modos de produção, organização e participação sócio-politica na perspectiva do pleno exercício da cidadania, adotando o modelo da agroecologia.
As atividades produzidas conciliaram teoria e prática e atentaram para a transversalidade que permeou o projeto. Assim, oficinas e discussões sobre gênero aconteceram paralelamente à implementação de unidades de produção que incluíram a criação de galinhas caipiras, horticultura orgânica, ovinocaprinocultura, apicultura e sistemas agroflorestais, aliados à formação de agentes multiplicadores/as em agroecologia. As atividades contaram ainda com o crédito rural e a comercialização de produtos das unidades e da produção familiar, em parceria com o eixo Socioeconomia Solidária (SES).
Foi no esforço de construir junto com as famílias e comunidades, alternativas de sustentabilidade para a agricultura familiar, através da dinamização e diversificação da produção, do acesso à informação e à formação, que o projeto desenvolveu suas ações. Tendo sempre em vista as relações sociais e a justiça de gênero e de gerações, o projeto se pautou nos princípios da agroecologia, servindo de base para o projeto Terra da Gente.