O Projeto Mulheres do Mar teve inicio em setembro de 2002, com a realização de uma pesquisa em sete comunidades costeiras dos municípios de Amontada e Itapipoca, que foi concluída parcialmente em fevereiro de 2003 no município de Itapipoca.
A mesma traçou um perfil da realidade socioeconômica de algueiras e marisqueiras e de sua relação com o meio ambiente. O estudo subsidiou a elaboração do Projeto, que tem como foco as atividades das mulheres através do apoio ao Conselho de Algueiras e Marisqueiras de Itapipoca - CAMI - , criado em 2003 com o apoio do CETRA. A formação desse Conselho deu início a um processo de mobilização e organização essencial para a sustentabilidade das ações.
O Projeto Mulheres do Mar foi concebido para desenvolver ações sócio-educativas, ambientais e geradoras de renda para mulheres de comunidades tradicionais localizadas na costa dos municípios de Amontada e Itapipoca, em especial aquelas que tem o extrativismo (mariscos e algas) como fonte de renda complementar à receita familiar.
O público da atenção deste projeto é constituído por algueiras, marisqueiras e artesãs da zona costeira dos dois municípios e que vem se realizando preliminarmente na praia de Apiques, no município de Itapipoca, contando com o apoio do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará, do IBAMA e do LABOMAR.
Um aspecto da maior importância dentro das ações previstas é o cultivo e a preservação das espécies de algas, assunto abordado nas oficinas e seminários que se realizam. O cuidado com o meio ambiente (terra, água, flora e fauna) é um pressuposto fundamental para o desenvolvimento a partir da convivência e do cuidado com a natureza e com o que ela oferece.
Além do aspecto ecológico, as atividades do projeto Mulheres do Mar abrangem também a saúde da mulher, (oftalmológica, ginecológica, dermatológica, etc) afetada pelo trabalho insalubre e, os cuidados na realização das atividades de cultivo e coleta, o estudo da viabilidade no período de defeso ou paradeiro, para garantir o crescimento das diferentes espécies de algas e mariscos. O cultivo é realizado em estruturas alternativas feitas com a participação das mulheres. Além disso, estão previstos entre as atividades, o beneficiamento das algas para incrementar o preço da venda e a alfabetização das algueiras da região.
A criação de políticas públicas voltadas para as áreas de educação e saúde é indispensável para que se atinja as metas propostas. Por isso, a colaboração do poder local é também fundamental.
O CETRA tem a expectativa de dar continuidade ao projeto e está tentando mobilizar recursos neste sentido.