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CETRA - Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador - HOMENAGEM DO CETRA A NAZARE FLOR

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HOMENAGEM DO CETRA A NAZARE FLOR

Mulher sonhadora, mulher romântica, de luta...

Seu nome Maria Nazaré de Sousa – Nazaré Flor, nascida na praia do Apiques, município de Itapipoca. Seu nome é Mulher, é desejo de liberdade, de luta... É bravura, é teimosia, é solidariedade...é teimosia, é vontade, é desejo!
Nazaré flor, liderança comunitária, autodidata, professora alfabetizadora do MEB (Movimento de Educação de Base), catequista, sindicalista, costureira, dona de casa, mãe amorosa do coração, esposa e companheira... liderança feminina rural. Poeta e cantora. Uma guerreira. Da pobreza se fez mulher libertária de outras iguais. Escandalizou e contrariou amigas e amigos das comunidades ao defender a liberdade, a igualdade e a autonomia para as mulheres rurais da região.
Viajou por muitas terras. Conheceu muitos costumes. Viu de perto as diferenças, as relações de poder que a cultura e a religião estabeleceram para homens e as mulheres, entre brancos, pretos, índios, entre pobres e ricos no mundo capitalista.
Ela conheceu a pobreza, a falta de políticas públicas de educação, de saúde, de assistência social, de infra-estrutura, de credito para milhares de famílias do Nordeste desassistidas e cada vez mais empobrecidas, vivendo a brutalidade da fome. Ela questionou o assentamento somente para homens nas áreas de reforma agrária. Ela lutou e desafiou os costumes políticos pela ausência de responsabilidade para com a realidade da maioria da população brasileira, faminta e desprotegida. Ela falou através de sua poesia, de sua canção, de sua forte presença, de sua figura forte e corajosa. Chorava fácil quando não conseguia responder à altura alguma situação constrangedora e com a injustiça.
Seu destemor, sua coragem, sua ação participativa, não comprometeram sua relação afetiva do matrimonio, como acreditavam muitos que preferem as mulheres subservientes, submissas. Ela viajou mundo afora, mas terminados seus trabalhos, sua ânsia era chegar em sua casa, dar atenção e carinho ao marido e aos filhos e conviver com parentes e amigos/as da comunidade. Era ali o seu lugar, a sua vida.
queria sair da miséria, da pobreza e lutou para isso. Sua casa de taipa transformou-se uma bonita casa de alvenaria, com alpendre e janelas por onde a brisa do mar de Apiques sopra em todas as direções e balança a rede aonde faz a sesta no alpendre e também aonde nos deliciávamos com as estórias dos pescadores nas noites enluaradas ou desestrelíferas.
Ela partiu e nós do CETRA sentiremos falta de sua alegre presença, quando vinha para uma reunião/assembléia, para seguir viagem com destino a outros estados, para cumprir sua agenda com o MMTR ou com a Rede Lac.
Na sexta feira próxima, dia 19, faremos uma celebração em sua memória, na sede do CETRA, para que amigos e amigas de Fortaleza, prestem-lhe a homenagem que ela merece. Nós do CETRA, a homenageamos e saudamos essa mulher guerreira, nossa associada, por sua contribuição no processo de organização das comunidades e especialmente da organização das mulheres rurais do Ceará e do Nordeste.

Com o carinho da EQUIPE DO CETRA

24/10/2007

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