A construção de 28.475 cisternas levou água potável para 29.031 famílias de agricultores de 147 municípios cearenses
No Dia Estadual de Mobilização pela Vida no Semi-árido, cerca de três mil de agricultores de nove microrregiões do Ceará, representantes da Igreja e de várias organizações não-governamentais lotaram, ontem à tarde, o plenário da Assembléia Legislativa. Audiência pública discutiu a continuidade do Programa Um Milhão de Cisternas (PIMC), interrompido em 31 de outubro pelo governo Federal.
Iniciado em 2003, o PIMC já construiu 221.364 cisternas em 1.031 municípios do semi-árido brasileiro. “A demanda do Ceará é de 200 mil cisternas, mas só foram construídas cerca de 30 mil unidades”, avalia o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura no Estado do Ceará (Fetraece), Moisés Braz.
Ele demonstrou sua preocupação com a interrupção do programa federal diante da situação caótica de muitas famílias que vivem sem água. “Só sabe o sofrimento, quem não tem água potável e precisa caminhar três, quatro quilômetros, com uma lata na cabeça para buscar água”.
O coordenador executivo da Articulação do Semi-Árido Brasileiro, uma das entidades responsáveis pela mobilização de ontem, Felipe Pinheiro afirmou que a renovação dos convênios é fundamental para armazenar água durante os seis a oito meses de estiagem nos municípios da região. No próximo dia 13, haverá outra manifestação em Feira de Santana (BA). Os organizadores não descartam a possibilidade de uma ida à Brasília para pressionar parlamentares e o governo Federal pelo reinicio imediato do PIMC.
Na visão do bispo diocesano de Limoeiro do Norte, dom José Haring, o programa serve ao povo simples e basta percorrer as localidades para ver a felicidade dos que receberam a cisterna ao lado das casas.
Na audiência, o secretário adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará, Antônio Amorim, disse que este ano serão construídas 19.400 cisternas, das quais 5.000 através de convênios com prefeituras via MDS.
CULTURA
Delegações com 2 mil pessoas participam de atividades
Cerca de 2 mil pessoas, representando 105 municípios cearenses, participaram, na manhã de ontem, da caminhada entre a Praça da Imprensa e Assembléia Legislativa do Estado, dentro das comemorações do Dia pela Convivência com o Semi-Árido, promovido pelo Fórum Cearense pela Vida no Semi-Árido. Pela manhã e a tarde, as delegações do Interior também estiveram envolvidas em atividades culturais.
Segundo informou Alessandro Nunes, coordenador executivo do Fórum, houve atraso na chegada de 30 veículos, entre ônibus e vans, vindos do Interior, transportando os participantes da audiência pública.
Já no começo da manhã, houve concentração na Praça da Imprensa. Às 11h30, foi iniciada a marcha que aconteceu na Avenida Desembargador Moreira. No trajeto, fizeram uso de carros de som, cartazes e faixas, chamando a atenção para as demandas da região.
Segundo os organizadores, o evento pretende mostrar os resultados do Programa Um Milhão de Cisternas. A Articulação no Semi-Árido Brasileiro segue em negociação com o Ministério há mais de seis meses. No entanto, não há perspectiva até o momento, da renovação do projeto com o MDS, que financia 80% das ações.
Participaram das atividades entidades como ASA Ceará, Central Única dos Trabalhadores, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Ceará, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com o apoio da Assembléia Legislativa, do Governo do Estado e o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho.
"Antes da cisterna era uma tristeza, não tinha água potável. Consumia água salobre porque não tinha outro jeito" (Francisco Caetano, 72 Anos,Agricultor)
Diário do Nordeste, 08.11.2007
14/11/2007