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Ação do CETRA chega às Comunidades de Cafundó e Escondido no Sertão Central

Publicado em mai 14, 2012 em Destaques, Notícias | 0 comentários

Ação do CETRA chega às Comunidades de Cafundó e Escondido no Sertão Central

O dia 3 de maio de 2012 ficará sempre marcado na história da assessoria técnica do Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador. Nesta manhã, a equipe técnica do CETRA, acompanhada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Choró, chegou às comunidades de Cafundó e Escondido para mobilizar famílias a participarem do Projeto Caminhos da Sustentabilidade – ATER Semiárido.
As duas comunidades tem um acesso extremamente dificultoso, passando por pedras e córregos e, por isso, a conquista de políticas públicas também se torna esparsa.
Contrariando os mitos, as 30 famílias que moram por estas comunidades são produtoras e vivem de seu próprio jeito, convivendo com seus desafios. Em Cafundó, foram encontradas cacimbas d’água de boa qualidade para o consumo humano e cursos d’água para os diversos usos da família, além de criação de galinhas, vegetação nativa e plantio de hortaliças como atividades desenvolvidas pelas famílias.
No diálogo entre a instituição, através da técnica Maria Ivanilde, e as famílias agricultoras, foi demonstrado o desejo, por parte destas, da assistencia técnica rural em organização social e produtiva, mas também foi ressaltada a importância de respeitar a realidade local, pois aquelas pessoas tem a sua  forma de conviver e interagir com o seu meio.

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I Encontro Estadual do PAIS acontece em Itapipoca

Publicado em mai 10, 2012 em Destaques, Notícias | 0 comentários

I Encontro Estadual do PAIS acontece em Itapipoca

Finalizando a implantação de 150 tecnologias sociais de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), o Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (CETRA) e o Instituto Antônio Conselheiro (IAC), com o apoio da Fundação Banco do Brasil (FBB), realizaram, entre os dias 7 e 9 de maio, o I Encontro Estadual do PAIS. Na programação, pudemos contar com a presença de Cláudia Zulmira, da FBB, Silas Bastos, representando o secretário do Desenvolvimento Agrário Nelson Martins e Paulo Sucupira, por parte da superintendência do Banco do Brasil no Ceará.

A ideia foi reunir os agricultores e as agricultoras beneficiários, oriundos dos municípios de Paracuru, Paraipaba, Meruoca, Trairi, Amontada, Quixadá e Senador Pompeu, além de técnicos e técnicas e parceiros do projeto, num rico momento no qual o jeito de fazer agricultura no litoral, no sertão e na serra se torna a troca  de saberes e sabores da agricultura agroecológica, promovendo o intercâmbio entre os agricultores e as agricultoras que vêm desenvolvendo experimentos com seus quintais produtivos com o objetivo de fortalecer e diversificar ainda mais suas experiências.

Desde a implantação, os resultados vêm sendo positivos, tanto financeiramente como na saúde e isso fica muito claro ao conversar com os agricultores, como Rita do Nascimento, da comunidade Novo Oriente, em Trairi, para quem o PAIS “mudou tudo”. Ela conta que já tinha o hábito de comer verdura, mas agora tem a diferença de não comprar mais e até vender para os vizinhos. Além disso, antes ela sofria de depressão, “queria algo para cuidar, chamar de meu, fazer do meu jeito e consegui isso com o PAIS. Antes eu tinha medo de sair de casa, agora vivo no mundo, tenho vontade de participar das coisas que eu já tinha era desistido de lutar por causa da depressão”, diz ela animada.

*O PAIS é um sistema de produção agrícola que une a criação de galinhas à horticultura em um esquema circular com irrigação integrada. A estratégia de reaplicar tecnologias sociais em geral vem sendo adotada pela FBB desde 2003, com foco na superação da pobreza por meio da geração de renda e educação e, a longo prazo, protagonismo social, solidariedade econômica, cuidado ambiental e respeito cultural.

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CETRA vai trabalhar com algodão em consórcios agroecológicos

Publicado em abr 11, 2012 em Notícias | 0 comentários

A cultura do algodão, desde a década de 1980, é um desafio para a população do semiárido e, em especial, para o Ceará, histórico produtor dessa cultura. Os desafios são muitos e, pensando, nisso, ocorreu no último dia 22 o Encontro de Formação do Algodão em Consórcios Alimentares Agroecológicos, no Assentamento Alegre, município de Quixeramobim.

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Agricultores da Comunidade Lages conhecem experiência de nutrição de abelhas

Publicado em abr 11, 2012 em Notícias | 0 comentários

João e José da Silva Oliveira são agricultores da Comunidade Carnaúba, município de Quixadá. Dentre seus cultivos e criações, estão 35 colônias de abelhas, que utilizam a flora nativa para a produção de mel. Um dos grandes desafios desta produção,

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Purão: aprendizado e trocas

Publicado em abr 2, 2012 em Destaques, Notícias | 0 comentários

Purão: aprendizado e trocas

 

Purão é uma comunidade rural que fica bem no caminho entre Itapipoca e Trairi, mas pertence ao segundo município. Lá vivem seu Moacir e dona Vera, em uma casa cor-de-rosa na qual, de cara, já dá pra ver a cisterna de placa de 16 mil litros do lado. Além desta eles têm outra cisterna, calçadão, com a qual cultivam seu quintal produtivo. O casal tem dois filhos, mas quem cuida mesmo das plantas são eles, pois os jovens estudam e trabalham nas sedes dos municípios de Itapipoca e Trairi.

O chuvoso 29 de março foi um dia diferente. 11 agricultores e agricultoras familiares beneficiários do Projeto Cisternas de Enxurradas, realizado no território pelo CETRA em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado. As expectativas eram muitos, mas em todos a vontade de ver um quintal produtivo já estabelecido e aprender coisas novas.

Seu Moacir já começa explicando que este é um trabalho que você só faz se quiser mesmo e se gostar. A cisterna calçadão chegou lá faz mais ou menos um ano e, junto, os técnicos construíram dois canteiros. Ele construiu mais quatro, comprou as sementes e começou a produzir. Hoje o quintal tem coentro, cebolinha, alface, pimentão, cidreira, couve, boldo e duas espécies de mamão, dentre outras espécies. A horta já dá para o consumo da família e ainda tem o excedente, que ele vende todos os sábados na própria comunidade, afinal “não ia adiantar eu vender na Feira no Trairi ou na Itapipoca e o pessoal daqui do lado ter que ir até lá, se eu posso vender aqui”, explica.

Quanto ao manejo, ele conseguiu adaptar bem ao solo praieiro da região. Utiliza estrume de cabra nos canteiros, além de, quando vai capinar, não joga fora o mato, mas coloca ele para debaixo da terra para servir de adubo também. Geralmente gasta 600 litros de água por dia para agoar o quintal com um regador de manhãzinha e ao final da tarde. Este ano vai testar uma experiência e forrar a parte de baixo do canteiro com barro e bagana de carnaúba, além de colocar a bagana por cima para, tudo junto, reter mais e umidade e tentar economizar mais água.

Essa não é a primeira experiência que seu Moacir faz em seu quintal. Já experimentou colocar uma lona embaixo do canteiro para não deixar a água escoar demais pela arenosidade do solo. Também faz uma proteção em seus canteiros, colocando folha de coqueiro apoiada em estacas e formando um “teto” para que o sol não chegue muito em algumas plantas, como o coentro, que são mais sensíveis.

Depois do almoço, foi a hora de conversar. Seu Franciné Diniz estava muito empolgado com a visita. “Andando é que a gente vê e descobre as coisas”, afirma ele, que descobriu na visita as vantagens de cultivar o tomate cereja, que antes ele achava que era frutinha do mato e não dava para nada. Ele diz que gostou de tudo o que viu na primeira vez em que esteve em um quintal produtivo e que volta muito animado para começar o seu. “Também quero receber um intercâmbio um dia”, finaliza ele.

Dona Carmelita, da comunidade Lundu, município de Miraíma, quase não ia receber a cisterna de enxurrada por causa do tamanho do seu quintal, que era muito pequeno. Ela diz que achava ia entrar em depressão se não desse certo e, em cada etapa, ia mais feliz. Assim foi para o intercâmbio, porque quer aproveitar cada pedacinho do seu quintal. E aprendeu muita coisa, “principalmente aquele negócio de colocar a palhas suspensas, porque eu colocava quase em cima do coentro, mas agora vou fazer que nem o seu Moacir”. Dona Carmelita diz também que já tem várias fruteiras em seu quintal, como manga, acerola, caju e ciriguela, e agora está muito interessada em plantar verduras.

Quem também se empolgou foi dona Rita de Sousa. Ela já está levando as sementes de tomate cereja para plantar no quintal, além da ideia de montar as cobertas do coentro com palha de coqueiro e estacas. “Sou eu quem vai cuidar do meu quintal, por isso gostei demais de ter vindo. Fiquei ainda mais animada para ver o meu pronto!”, exclama.

Josivaldo de Sousa, por sua vez, já tinha visitado um quintal em Amontada por ocasião de um curso no projeto Raiz. “Mas com certeza foi importante, estou voltando mais animado para montar o meu quintal”, conta ele. De novidade, Josivaldo diz que viu as plantas medicinais e achou importante, vai plantar também. “A gente tem que ter um pouco de tudo para poder consorciar”, explica.

Carlos Rodrigues foi representando a mãe. Ele voltou preparado para contar tudo, com a certeza de que ela vai se empolgar ainda mais. “Quando ela montar uma horta dessas, vai até botar uma rede lá dentro”, diz ele. Nessa história de mudança, quem também se animou foi Domingos Rodrigues: “se o seu Moacir quisesse, eu ficava morando aqui mais ele de tanto que gostei”.

Luis de Sousa acha que volta para casa com muito mais conhecimento. “Para quem não sabia como começar, o seu Moacir deu uma grande lição para a gente. Foi muito bom. Já estou levando a semente do tomate cereja, que eu também não conhecia, para começar as mudinhas”, comenta.

Seu Antônio Teixeira, que além de agricultor é conselheiro do Fórum Microrregional pela Vida no Semiárido de Itapipoca, já enxerga mais adiante. “Em vez de estar saindo e comprando, tem a hortaliça no quintal e já vai é virar o vendedor”, ele coloca. “Eu vejo também que é um programa certo para o semiárido do Nordeste, porque incentiva a família a trabalhar, a aumentar a produção e gerar renda”, finaliza.

E a ideia de seu Moacir é continuar nessa produção. “Enquanto Deus me der saúde…”, diz ele, enquanto se despede dos outros, depois de tirar de seu quintal várias mudas para os agricultores e agricultoras visitantes levarem. Afinal, o intercâmbio, além de trocar e construir conhecimentos coletivos, também é uma troca de afetos.

 

 

 

 

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“Minha vida melhorou muito” – PAIS

Publicado em mar 23, 2012 em Destaques, Notícias | 0 comentários

“Minha vida melhorou muito” – PAIS

Andar pelo semiárido cearense proporciona visões muito diversas. Mais diversas ainda são as formas que as pessoas encontram de superar os empencilhos que aparecem, mostrando que criatividade e força de vontade para o trabalho dão certo e mostram que a terra de todo o semiárido é boa sim para cultivar.

Entre serra, sertão e praia, o território da cidadania Vales do Curu e Aracatiaçu consegue nos mostrar a diversidade de soluções que podem surgir para a questão do cultivo. A microrregião, assim como o território do Sertão Central, foi beneficiada com projetos de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), executados pelo Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (CETRA) em parceria com a Fundação Banco do Brasil.

Cada um com suas especificidades:

Na região praiana dos municípios de Paraipaba, Trairi e Paracuru existe a questão a porosidade do solo, para o qual o sistema de gotejamento encontra algumas debilidades. Por outro lado, a umidade relativa do ar é mais alta. Se faz muito necessária também a adubação do solo com matéria orgânica por causa da porosidade e de uma possível salinidade, devido à proximidade com o mar, então os canteiros adubados foram uma boa solução; é bom também deixar o mato cobrindo a terra para o solo não sofrer erosão.

Meruoca já se encontra em cima da serra. Lá é uma Área de Preservação Ambiental (APA), então há tempos se deixou de queimar roçado. A terra é vermelha e mais consistente, parecida com o barro, além de muito úmida. A maior parte dos PAIS lá vão se misturando com a mata nativa que também é bem presente no quintal. O sistema de irrigação de gotejamento dá certo e ajuda na economia de água.

Amontada está no sertão. Lá, dá mais trabalho montar os canteiros circulares, porque o barro é duro de cavar e revolver – nada que mais dias de trabalho não resolvam. O sistema de gotejamento funciona perfeito, pois a gota que sai se espalha e agoar o canteiro todo precisa de pouca água. Além disso, como a umidade do ar é baixa, é bom molhar as folhas. Para quem cria animais, vale a pena cercar o PAIS e deixar os bichos soltos.

No final, todos satisfeitos.

Em breves minutos de conversa com qualquer uma das famílias beneficiárias se escuta que a vida de cada uma delas mudou. E pra melhor. Legumes e verduras que antes eram esporádicos passaram a ser parte do cardápio diário, proporcionando uma alimentação mais saudável. Há quem crie galinhas para comer, há quem crie galinhas para pôr ovos, mas em ambos os casos a proteína da alimentação também está garantida. Lucros, podemos contabilizar os monetários, como a venda do excedente da produção em mercados, feiras e programas governamentais de aquisição de alimentos, e os não-monetários, uma vez que as famílias também deixaram de comprar vários alimentos porque passaram a produzir em casa. Podemos dar destaque também para a questão da qualidade de vida a partir da mudança da forma de manejar a produção, deixando o tempo mais livre para as pessoas se dedicarem a outras ocupações.

Além disso, entra o aproveitamento dentro do próprio sistema. Matéria orgânica e esterco de galinha vira adubo – e estrume de galinha é uma maravilha para plantar cebolinha. O que sobra da horta também vai alimentar os animais, o que dá mais saúde para eles e economiza também na ração. Defensivos, só os naturais, feitos de plantas que se encontram nas proximidades, como o álcool com castanha e o produzido a partir do nim.

O PAIS se integra aos quintais das famílias – ou é ele mesmo o próprio quintal. Fortalece a ideia de que o semiárido cearense é terra boa, de produção. Cada família deu a sua cara para os canteiros circulares. Perto das hortaliças, tem plantas medicinais, tem milho e feijão – provando que o roçado não é a única alternativa, tem flores para atrair as abelhas, tem até amora, uma fruta considerada de climas frios. E tudo dá.

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Encontro na Lagoa do Mato faz práticas de irrigação e adubagem

Publicado em mar 23, 2012 em Notícias | 0 comentários

É comum ouvir das bocas dos agricultores que uma das partes mais importantes dos projetos é a assessoria técnica e os aprendizados que ela leva.

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Agroecologia compartilhada no Assentamento Boa Vista

Publicado em mar 13, 2012 em Destaques, Notícias | 0 comentários

Agroecologia compartilhada no Assentamento Boa Vista

Mais um intercâmbio para trocar experiências, conhecer pessoas e visitar lugares. Dessa vez o destino foi o Assentamento Boa Vista, em Quixadá, que recebeu agricultores e agricultoras dos Assentamentos São Francisco e Nossa Senhora de Fátima, ambos de Canidé. O sentimento geral da chegada é de vontade de conhecer, de ver esse tal quintal produtivo que cada um deles vai começar a executar em sua unidade.

O intercâmbio, por sua vez,  é mais uma das etapas formativas pelas quais as famílias passam dentro do Projeto Cisternas de Enxurrada, executado pelo CETRA, com o apoio da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Governo do Estado do Ceará, nos territórios do Sertão Central, Sertões de Canidé e Vales do Curu e Aracatiaçu.  A ideia é justamente levar as famílias beneficiárias para conhecer experiências já mais avançadas daquilo que elas vão executar.

O Assentamento Boa Vista é formado por 24 famílias e a maioria trabalha com agricultura. A água, no local, não é um fator limitante, pois existem açudes e todo mundo já conta com a cisterna de placa de 16 mil litros da água de beber. Eles ainda têm alguns projetos comunitários, como uma horta e uma casa de ordenha, que também foram visitados pelos intercambistas. Mas vamos pelo começo.

A primeira parada foi na casa de seu Ismael Oliveira, que, desde 2005, não compra nem utiliza gás  butano em casa. O que aconteceu é que ele montou um biodigestor no quital e, a partir de então, o gás utilizado para cozinhar é produzido a partir da fermentação do esterco de gado. Além disso, o esterco que sai depois do processo que extrai o gás já é curtido, ideal para ser utilizado como adubo para as plantas. Fato interessante nesse processo é que o gás produzido só não é agressivo ao meio ambiente se ele for queimado.

Depois, foi a hora de conhecer o quintal da dona Lurdes Oliveira, que mora e trabalha com o esposo, seu José. Sua casa foi o primeiro quintal produtivo da comunidade e surgiu depois que ela começou a participar do Projeto Dom Helder Câmara, executado pelo CETRA. Dona Lurdes fez um curso de agroecologia por 8 meses e conta, com emoção, que foi, aos poucos, superando a depressão que sofria através da atividade produtiva. Saiu, fez vários intercâmbios em Itapipoca. Além da cebolinha, do coentro, do mamão e das outras plantas que cultiva, colheu também auto-estima e hoje é a tesoureira da associação comunitária. Boa parte da alimentação que consome vem do quintal e ela praticamente só compra produtos industrializados.

Como dona Lurdes está no lugar desde o começo do assentamento, em 2000, ela acompanha também a evolução da comunidade. Um dos destaques, ela conta, foi a chegada da assistência técnica para os agricultores, pois já é possível perceber que hoje tem bem menos queimada.

Em seu quintal, ela experimenta. Além das frutas, legumes e hortaliças, tem flores, porque “são eficientes contra as pragas, já que atraem os insetos para elas”. A irrigação também foi um problema resolvido com criatividade. Antes era preciso um dia inteiro andando de um lado para o outro para agoar todas as plantas. Até que surgiu a ideia da irrigação usando mangueira e cotonetes, com um motor para bombear água do açude. Deu certo e hoje o quintal todo é irrigado, ela vai só abrindo e fechando as chaves e, em pouco tempo, as plantas estão agoadas. O tempo economizado serve para fazer outras coisas.

A visita seguinta foi ao quintal de dona Helena, que começou com cheiro verde e depois as várias bananeiras. Ela conta que as bananeiras foram ideia das mulheres da horta, que os homens achavam que não ia dar certo. Teimou. Hoje produz dois tipos de banana no quintal.

A horta comunitária é uma experiência a parte. Começou em 2005, através do Projeto Dom Helder Câmara,  com um grupo de jovens, mas eles não tocaram e as mulheres assumiram. Depois, algumas se retiraram para cuidar dos quintais e hoje são três famílias que tomam conta.  Dona Lurdes diz que visitar a horta é uma boa forma de entender a diferença entre o orgânico e o agroecológico, pois todos os produtos são cultivados sem agrotóxicos, mas alguns canteiros não são montados da forma mais respeitosa ao meio ambiente.

A última experiência visitada foi a da casa de ordenha, também comunitária, quem envolve 10 famílias. Foi meio que por acaso. O projeto tinha recurso e a intenção inicial era ampliar a horta, mas como não dava, optaram por comprar cabras e depois o tanque de resfriamento.

Os aprendizados do dia foram muitos. Seu Zé Cacau, assentado do São Francisco, está decidido a construir um biodigestor e gostou muito de saber que pode combater o cachorro de areia com defensivos naturais. Gonzaga também está empolgado: “vou plantar horta e perto colocar as frutas, criar pinto, frango, que o cocô do pinto serve de adubo e eles mesmos também comem as plantas que já estão mais secas”. E acrescenta: “tomara que, no futuro, alguém vá visitar a gente também”.

Joseano é o presidente da Associação do assentamento São Francisco e também é pedreiro de cisterna. Ele diz que o intercâmbio vai aumentando o conhecimento de todo mundo. “Eu fiquei feliz de ver a preocupação de alguns assentados com o meio ambiente”, comenta.

Dona Letícia, do assentamento Nossa Senhora de Fátima, gostou muito. “Vou fazer os canteiros, que eu sou louca por verdura, e no meu quintal quero coqueiro também”, diz ela empolgada para começar a sua produção.

O dia seguinte foi o momento de discutir com mais profundidade e de os intercambistas desenharem os mapas dos lugares visitados. Depois, hora de voltar para casa.  Alguns deles já estão com as cisternas prontas, outros com ela em construção, mas em todos, depois do intercâmbio, o ânimo e a certeza de que vai dar certo.

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Receitinha de Quintal

Publicado em fev 28, 2012 em Notícias | 0 comentários

Agroecologia é também transformar cada quintal em um campo de experimentação aberto à criatividade dos agricultores e agricultoras que trabalham nele. É isso que Francisca Vera Jerônimo, trabalhando lado a lado de seu companheiro Antônio Moacir Jerônimo Lucas, da comunidade Purão (Trairi-CE) vem fazendo.

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Riacho do Meio: troca de conhecimentos e coletividade

Publicado em fev 17, 2012 em Notícias | 2 comentários

Riacho do Meio é uma comunidade que fica entre Choró-Limão e Quixadá, pertinho da estrada. Lá moram homens e mulheres que trabalham

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